Na rotina das cidades, desafios como mobilidade, poluição e qualidade de vida tornam-se cada vez mais evidentes. As cidades inteligentes surgem como resposta, combinando tecnologia e sustentabilidade para melhorar o bem-estar urbano. Um estudo publicado na revista Sustainability, intitulado Clustering of European Smart Cities to Understand the Cities’ Sustainability Strategies, analisa estratégias adotadas por 40 cidades europeias para alcançar a sustentabilidade por meio de capacidades dinâmicas.
O estudo, conduzido por Carmen Cantuarias-Villessuzanne, Romain Weigel e Jeffrey Blain, identificou sete dimensões principais que moldam as estratégias de cidades inteligentes: arquitetura e tecnologia, cidadania inteligente, economia, meio ambiente, governança, qualidade de vida e mobilidade. Através de uma análise de componentes principais (PCA) e uma classificação hierárquica ascendente (HAC), o trabalho segmentou essas cidades em três clusters distintos, revelando diferentes abordagens e níveis de desenvolvimento.
O primeiro grupo abrange cidades como Roma e Turim, que apresentam estratégias emergentes. Essas cidades ainda enfrentam altos níveis de poluição e dependem fortemente de meios de transporte tradicionais. Apesar disso, iniciativas como car-sharing e bicicletas compartilhadas indicam esforços iniciais para uma transição mais sustentável. O segundo cluster engloba cidades tecnológicas e orientadas ao mercado, como Amsterdã e Estocolmo, que se destacam pela infraestrutura avançada, alta penetração de e-commerce e cidadania digital ativa. No entanto, enfrentam desafios relacionados aos altos custos de vida e baixa adesão a práticas colaborativas. Por fim, o terceiro cluster inclui cidades como Viena e Colônia, que priorizam a sustentabilidade ambiental, investindo em revegetação, redução de emissões de carbono e promoção de energias renováveis. Essas cidades também se destacam por políticas de mobilidade sustentável e governança participativa.
Os resultados indicam que essas estratégias têm impacto direto no dia a dia dos cidadãos. Medidas como transporte alternativo reduzem congestionamentos e emissões, enquanto projetos de revegetação melhoram a qualidade do ar e os espaços públicos. Viena, por exemplo, combinou políticas ambientais com tecnologias de mobilidade para alcançar avanços significativos na qualidade de vida.
O estudo conclui que cada cluster representa um estágio ou abordagem distinta para o desenvolvimento de cidades inteligentes e sustentáveis. Perspectivas futuras incluem explorar a resiliência dessas cidades diante de crises, como a pandemia de COVID-19, e expandir a análise para outras regiões globais, identificando novos padrões e estratégias.
Referência
Cantuarias-Villessuzanne, C., Weigel, R., & Blain, J. (2021). Clustering of European Smart Cities to Understand the Cities’ Sustainability Strategies. Sustainability, 13(513). https://doi.org/10.3390/su13020513