ENVELHECIMENTO URBANO EM FOCO: AVALIAÇÃO DA AMIGABILIDADE DE HAIA PARA IDOSOS

Publicado em: 01/04/2024

Refletir sobre a amigabilidade urbana para idosos evoca a imagem de um morador mais velho enfrentando os desafios cotidianos em uma grande cidade. A jornada diária pode ser repleta de obstáculos, como calçadas em mau estado e a escassez de locais para descansar, destacando as dificuldades de navegação no espaço urbano. Esse cenário realça a importância de pesquisas focadas na experiência dos idosos com o ambiente urbano, como o estudo conduzido em Haia, que visa compreender e mensurar a acessibilidade e conforto das cidades para essa faixa etária.

O estudo A multi-year quantitative study of the experienced age-friendliness in The Hague: A tale of four personas realizado em Haia, faz parte de uma iniciativa contínua para avaliar a amigabilidade da cidade para com os idosos, alinhando-se com as diretrizes da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso da OMS. Adotando uma abordagem quantitativa, o estudo envolveu uma pesquisa transversal com 396 idosos residentes na cidade, utilizando o Questionário de Cidades e Comunidades Amigas do Idoso (AFCCQ) para explorar vários domínios, incluindo participação social e respeito e inclusão social. 

O estudo revelou resultados detalhados sobre a amigabilidade da cidade de Haia para com os idosos, com base em uma pesquisa realizada entre 396 residentes mais velhos. Em 2022, a cidade de Haia obteve uma pontuação "satisfatória" em seis dos nove domínios do AFCCQ, uma diminuição em relação aos sete domínios satisfeitos em 2020. A participação social teve uma queda significativa na pontuação, enquanto houve um aumento na satisfação no respeito e inclusão social.

A análise de cluster revelou quatro personas distintas baseadas na experiência de amigabilidade para com os idosos: Cluster 1: Este grupo teve as pontuações mais baixas de amigabilidade, destacando-se nas dificuldades com espaços ao ar livre e edifícios. Cluster 2: Caracterizado por pontuações mais baixas, especialmente em relação a espaços ao ar livre, edifícios e transporte. Cluster 3: Uma grande parcela da população com uma visão moderadamente positiva sobre a cidade. Cluster 4: O mais satisfeito com a amigabilidade da cidade em todos os domínios. Os clusters diferem significativamente entre si em todos os dez domínios do AFCCQ avaliados. As características pessoais mostraram variações, como idade, gênero, nível educacional, situação habitacional e saúde. O Cluster 1 incluiu uma proporção maior de pessoas nascidas fora dos Países Baixos, vivendo em habitação social e com condições crônicas. Em contraste, o Cluster 4 apresentou uma porcentagem maior de pessoas com educação superior, morando em suas próprias casas e gozando de melhor saúde. Essas descobertas sublinham a necessidade de políticas de amigabilidade para com os idosos que sejam diferenciadas para atender às necessidades específicas de cada grupo identificado, particularmente aqueles nos Clusters 1 e 2, que enfrentam maiores desafios em termos de saúde, transporte e acesso a espaços ao ar livre .

O estudo realizado em Haia identificou que, apesar das pontuações de amigabilidade para a idade terem se mantido estáveis entre 2020 e 2022, foram observadas mudanças significativas nos subdomínios de Participação Social e Respeito e Inclusão Social. A análise de cluster revelou quatro grupos distintos de idosos na cidade, destacando dois grupos que podem precisar de mais atenção dos formuladores de políticas, especialmente em termos de apoio financeiro, espaços ao ar livre e transporte. As políticas amigáveis para a idade devem idealmente redirecionar esforços e financiamentos para esses grupos, que podem ter enfrentado desvantagens acumuladas em vários domínios de suas vidas e no modelo de cidade amigável para idosos ao longo de suas vidas.

As constatações enfatizam a necessidade de políticas que tratem os idosos não como um grupo homogêneo, mas que reconheçam sua diversidade. O estudo sugere que as políticas e práticas devem se concentrar mais especificamente nas pessoas dos Clusters 1 e 2, que enfrentam maiores desafios. Este foco ajudaria a melhorar a satisfação geral com a amigabilidade da cidade para idosos. Quanto a futuros estudos, a pesquisa sugere a possibilidade de explorar se os clusters identificados existem em outros países e se os fatores orientadores são consistentes em diferentes populações. Estudos adicionais podem ajudar a entender melhor as necessidades específicas dos idosos em diferentes contextos urbanos e a eficácia das políticas e programas destinados a tornar as cidades mais amigáveis para os idosos.

Por: Anderson S. Ferreira

Referência

VAN HOOF, J.; VAN STAALDUINEN, W. H.; DIKKEN, J. A multi-year quantitative study of the experienced age-friendliness in The Hague: A tale of four personas. Social science & medicine (1982), v. 340, n. 116362, p. 116362, 2024.


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