COMO AS CIDADES PODEM ENFRENTAR O CALOR EXTREMO: SOLUÇÕES E TENDÊNCIAS EMERGENTES PARA REDUZIR A VULNERABILIDADE URBANA

Publicado em: 23/10/2024

No dia a dia das grandes cidades, é comum perceber que as áreas centrais são mais quentes do que as regiões periféricas. Esse fenômeno, conhecido como Ilha de Calor Urbana (ICU), acontece devido à retenção de calor em superfícies como concreto e asfalto, associada à falta de vegetação. Com o avanço das mudanças climáticas, esse problema tem se intensificado, aumentando a Vulnerabilidade ao Calor Urbano (VCU) e expondo as populações a maiores riscos de calor extremo. Os impactos vão desde desconforto até sérios problemas de saúde, afetando principalmente grupos vulneráveis como idosos e pessoas com problemas de saúde preexistentes.

Um estudo recente faz uma análise detalhada da VCU, abrangendo cinquenta anos de publicações científicas. A pesquisa se concentra em cinco áreas interligadas: planejamento urbano, ecologia urbana, saúde pública, climatologia urbana e sensoriamento remoto. O  objetivo do estudo é mapear as principais tendências e avanços, oferecendo uma visão detalhada dos esforços globais para mitigar os efeitos da ICU e promover a resiliência das cidades frente ao aquecimento global. Dentre as soluções propostas, destacam-se a colaboração interdisciplinar e o uso de tecnologias avançadas, como sensoriamento remoto e aprendizado de máquina. Essas ferramentas têm potencial para criar modelos preditivos precisos, ajudando no planejamento de cidades mais resistentes ao calor extremo.

O estudo  evidencia a importância de integrar a saúde pública nas discussões sobre vulnerabilidade ao calor urbano, considerando o aumento de doenças e mortes associadas às ondas de calor. Ao abordar a questão de forma ampla, o estudo busca fornecer subsídios para políticas públicas mais eficazes, que incluam estratégias de mitigação para proteger as populações mais vulneráveis. Além disso, o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é destacado, principalmente em relação à saúde pública e à promoção de cidades mais sustentáveis.

Os resultados do estudo mostram um aumento exponencial nas publicações sobre VCU nos últimos anos, especialmente a partir de 2016. Essa tendência reflete o crescente interesse em bem-estar e saúde pública no contexto urbano. A pesquisa aponta que as áreas mais críticas são aquelas com alta densidade populacional e pouca vegetação, onde a infraestrutura agrava os efeitos das ondas de calor. O planejamento urbano precisa incorporar mais estratégias verdes e azuis, como parques e corpos d'água, para mitigar o calor e melhorar a qualidade de vida.

O estudo sugere que futuros trabalhos devem se concentrar em explorar o impacto de diferentes tipos de vegetação e infraestrutura verde na redução da vulnerabilidade ao calor. Além disso, o uso crescente de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial, será essencial para modelar os impactos das mudanças climáticas de forma mais eficaz e oferecer soluções que possam ser aplicadas em escala global.

Referências 

Yigitcanlar, T., Li, F., Nepal, M., Dur, F., Li, W., & Nguyen, K. (2024). Understanding Urban Heat Vulnerability: Scientometric Analysis of Five Decades of Research. Urban Climate, 56, 102035. https://doi.org/10.1016/j.uclim.2024.102035

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